
Na madrugada de 14 de março de 2025, o Brasil testemunhou um Eclipse Lunar Total em Virgem – a chamada "Lua de Sangue" que tingiu nosso satélite de vermelho por 65 minutos. Enquanto milhões de pessoas admiravam o fenômeno celeste, poucos perceberam que o céu estava escrevendo um alerta urgente sobre uma das crises humanitárias mais graves do nosso tempo: a violência contra a mulher.
Ao analisar cuidadosamente o mapa astrológico daquele momento, identificamos configurações alarmantes que apontavam para um período crítico envolvendo mulheres trabalhadoras, profissionais da saúde, educadoras e jornalistas. Infelizmente, os dados recentes – especialmente os casos chocantes do final de novembro de 2025 – confirmam que o céu não estava apenas "se expressando": estava alertando.

O eclipse lunar de 14 de março ocorreu com uma configuração planetária extremamente significativa:

O eclipse aconteceu na face de Mercúrio, com Mercúrio posicionado na Casa 3 (comunicação, deslocamentos, cotidiano), conjunto a Vênus retrógrada. Essa conjunção sinalizava tensões relacionadas a:
Vênus retrógrada em Áries é uma configuração sensível para questões femininas. Vênus representa o princípio feminino, as relações, os valores e a diplomacia. Quando retrógrada em Áries (signo regido por Marte, planeta da guerra e conflitos), indica:
Revisão ou perda de direitos femininos
Escândalos ou ataques à imagem de mulheres influentes
Aumento das agressões, especialmente com a energia de Marte ativa no mapa
Saturno, o planeta das restrições, estava na Casa 2 (economia, recursos, valores) em oposição direta ao eclipse. Essa configuração apontava para:
Todos os planetas, exceto Marte e a Lua, estavam sob a face de Marte, que se encontrava no signo de sua queda, Câncer, na Casa 6 (trabalho, saúde, rotina). Esta é uma posição crítica que indicava:
Virgem, signo onde ocorreu o eclipse, é um signo feminino, humano e ligado ao trabalho, saúde e conhecimento. O alerta se direcionava especificamente a mulheres trabalhadoras, profissionais da saúde, educadoras, assistentes sociais e jornalistas.
Os últimos dias de novembro de 2025 trouxeram casos que chocaram o país e confirmaram, de forma brutal, as advertências astrológicas:
29 de novembro – São Paulo: Uma mulher de 31 anos teve as pernas amputadas após ser atropelada e arrastada intencionalmente na Marginal Tietê por seu ex-companheiro, Douglas Alves da Silva, 26 anos. O crime ocorreu após ela terminar o relacionamento. A capital paulista bateu recorde histórico de feminicídios em 2025.
21 de novembro – Florianópolis: Catarina Kasten, 31 anos, estudante de mestrado da UFSC, foi estuprada e assassinada na Trilha do Matadeiro enquanto se dirigia para aula de natação. O caso mobilizou todo o país. Catarina era professora e pesquisadora.
Santa Catarina – Novembro inteiro: O estado registrou 9 feminicídios apenas em novembro, o maior número mensal de 2025, tornando-se o mês mais violento do ano.
O eclipse alerta para o agravamento da situação:
recorde histórico
apenas no primeiro semestre de 2025
nos casos com arma de fogo até agosto/2025
no Brasil
registrados em 2024 (também recorde)
média de 71.892 casos registrados
nos casos de stalking
na violência psicológica
Um dos fatores mais preocupantes por trás do aumento da violência contra a mulher é a ascensão do movimento RedPill e da chamada "manosfera" – comunidades online que disseminam misoginia estruturada e organizada.
O termo RedPill vem do filme Matrix (dirigido, ironicamente, pelas irmãs transgêneras Lana e Lilly Wachowski), onde o protagonista escolhe entre a pílula azul (permanecer na ilusão) e a vermelha (enxergar a "realidade"). Esses grupos distorceram a metáfora para criar uma narrativa onde homens "acordam" para uma suposta "dominação feminina" e precisam "reconquistar" seu lugar de poder.
Os estudos acadêmicos sobre o movimento RedPill no Brasil revelam um padrão assustador:
Grupos afirmam que mulheres servem apenas para relações sexuais. Uma frase comum entre eles é brutal em sua desumanização.
Atacam especificamente mães solo, mulheres gordas, mulheres negras, mulheres acima de 30 anos, e qualquer mulher que não se submeta aos padrões que eles estabelecem.
Defendem que mulheres são responsáveis por agressões sexuais que sofrem e que feminicídios são justificáveis quando a mulher "desmoraliza" o homem.
Utilizam táticas da extrema-direita para negar dados estatísticos sobre violência de gênero, criando uma realidade paralela onde homens são as "verdadeiras vítimas".
O movimento tem categorias que vão desde rejeitar relacionamentos longos até defender o completo isolamento social de mulheres.
Andrew Tate, ex-lutador de kickboxing britânico-americano, tornou-se o ícone mundial da manosfera. Com 22 bilhões de visualizações no TikTok, ele influencia milhões de jovens com mensagens como:
Tate está preso na Romênia desde 2022 sob acusações de tráfico humano, estupro, exploração sexual e formação de quadrilha. Autoridades alegam que ele e seu irmão atraíam mulheres com falsas promessas para transformá-las em prostitutas, submetendo pelo menos seis vítimas a abusos físicos e mentais.
Mesmo preso, sua influência continua: um assassino no Reino Unido pesquisou o nome de Andrew Tate antes de matar três mulheres de uma mesma família em 2024.
No Brasil, o caso mais notório é o de Thiago Schutz, conhecido como "Calvo do Campari", que viralizou em 2023 com vídeos "ensinando" homens a manter postura de "macho alfa". Ele chegou a ameaçar a atriz Lívia La Gatto de morte ("processo ou bala") quando ela ironizou seus ensinamentos.
O perfil de Schutz, "Manual Red Pill", é apenas um dos centenas de canais brasileiros que propagam esses discursos. No Instagram, a hashtag #redpill reúne mais de 1,3 milhão de publicações.
propagam ódio contra mulheres
nesses canais
Conteúdos começam com "autoajuda" mas escalam para incitação à violência
Pesquisadores que se infiltraram em grupos masculinistas brasileiros no Telegram relatam descobertas aterrorizantes:
Professora Lola Aronovich (UFC), que estuda esses grupos há 12 anos, é constantemente ameaçada por masculinistas. Ela confirma: quando esses discursos legitimam violência, homens se sentem autorizados a fazer o que quiserem com mulheres.
As plataformas digitais têm responsabilidade direta:
incluindo retórica antifeminista
vendendo cursos e mentorias
A ascensão da manosfera conecta-se diretamente com as configurações do eclipse:
Retrocesso em direitos femininos e aumento do discurso de ódio online
Comunicação tóxica, redes sociais como arma de dominação
Agressividade, violência e discurso de guerra entre gêneros
Estruturas opressivas disfarçadas de "ordem natural"
O eclipse não criou esses movimentos, mas amplificou sua influência e expôs suas consequências letais.
Quando bem estudada, a Astrologia pode ser uma ferramenta poderosa para antecipar crises coletivas e mobilizar a sociedade para a prevenção.
O eclipse de março não "causou" a violência contra a mulher – ele iluminou um problema estrutural que já existia, amplificando-o e trazendo-o à tona de forma inegável. A configuração planetária funcionou como um holofote cósmico direcionado para uma ferida social que insistimos em ignorar.
O eclipse de março passou, mas seus efeitos, como podemos perceber, ainda estão ativos.
Jovens que consomem conteúdo RedPill mudam comportamento
Crie espaços seguros para discutir masculinidade saudável
Ensine pensamento crítico sobre figuras como Andrew Tate
Desconstrua a ideia de que dominar é ser "macho"
A "Lua de Sangue" de 14 de março não foi apenas um belo fenômeno para fotografar. Foi – e continua sendo – um símbolo do sangue que tem sido derramado todos os dias nas casas, ruas, locais de trabalho e até em trilhas, como em Florianópolis.
Catarina Kasten foi para uma aula de natação e nunca voltou. Uma mulher em São Paulo teve as pernas amputadas por ousar terminar um relacionamento. Nove mulheres morreram em Santa Catarina apenas em novembro. E enquanto isso acontecia, milhões de jovens assistiam vídeos que justificam, normalizam e encorajam exatamente essa violência.
Com 10 mulheres mortas por dia e bilhões de visualizações em conteúdos que pregam ódio, não podemos mais olhar para o céu e ignorar o que ele nos diz. A Astrologia nos oferece uma linguagem para compreender os ciclos de violência e transformação. O movimento RedPill oferece uma linguagem para perpetuar essa violência.
Cabe a nós decidir qual linguagem vai prevalecer.
Vênus retrógrada já passou. Marte saiu da sua queda. Mas os efeitos permanecem, e novos ciclos se aproximam.
O próximo eclipse está chegando. Vamos estar atentos desta vez?
Em breve eu, Edna, e Carol faremos uma oficina para analisar os eclipses do ano de 2026. Fiquem atentos.
Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher (24h, gratuito e sigiloso)
Em caso de emergência, ligue 190 (Polícia Militar)
Para denunciar conteúdo misógino online: use as ferramentas de denúncia das plataformas
SaferNet Brasil: new.safernet.org.br
Sobre o Eclipse Lunar de 14 de Março de 2025: Eclipse Lunar Total em Virgem (24°), visível em todo o Brasil entre 03h26 e 04h31 (horário de Brasília), com duração total do fenômeno de aproximadamente 6 horas. A "Lua de Sangue" tingiu o satélite de vermelho por 65 minutos durante a totalidade do eclipse.
Eclipse Lunar de 14 de Março de 2025